Poesia

Três desejos

novembro 09, 2016

Quando o coração busca                          
antecipar a vida
logo já é dia
e já não vestem o meu olhar
o descanso e nem a flor

A minh'alma,
posta de lado
serve-se dos ventos
que acompanham a descida

Mal penso um movimento
as emoções farejam
Todos os cantos
do meu momento

O meu rir
O meu estar
o meu chorar
Sem  as janelas do meu despertar

Cadê a esperança do dia já feito?
Há a alma à míngua
E o olhar infrutífero

Como sobreviverei ao mundo
Se gastei meu espírito
A lançar sementes
Para longe de mim?

Permita que eu pule na brecha
em que o espaço e o tempo
moram em um abraço consentido

Leve-me ao instante em que
o espírito e matéria
se beijam sem chistes nem birras

Leve-me por fim
à matemática da perfeição
em 7 cores

Poesia

Planeta Síncrise

agosto 15, 2008



Onde mora a ciência
desse mundo louco
que de tudo tem um pouco?

Qual o endereço
do conhecimento vestal
esse saber de adereço
que do fim ao seu começo
é véu para o mero mortal?

Conhecimento ignorante
dos que maldizem
a esfinge indecifrável
topografia desse universo gestante
criadouro do saber inalheável

Economia de trocas
entre saber ciência
e saber campo
um precisa consciência
o outro, pobre experiência

Nessa fissão de saberes
esquecem-se as entranhas dos seres
com seus átomos imperceptíveis
diferenciados
buliçosos e miscigenados
Desmitificados

Que ao se encontrarem num só intervalo
formulam sua própria tabuada
sem mais
sem menos
frente a frente
num tempo mediado

Eis a natureza do mundo
Um pacote de misturas
um mundo com tantos mundos dentro
a aspergir sabores quimicamente complexos
com seus prótons, nêutrons e elétrons

Planeta Síncrise
morada simultânea de contrários
fábrica de seres reais
que trazem à realidade seres fabricados
brincadeira que transforma o mundo
em um grande lego com rodas, portas e janelas
Girândola biruta de eventos
é tudo
também coisa nenhuma
Ciência em si
e fora de si

Publicado originalmente em 15/08/08






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